AMANH(ESSÊNCIAS)
Ao acordar dos sinos
pessoas passam incógnitas
sombras da noite deixam a praça triste
o velho cansado
a criança dormindo
a cidade deixa sobras do antigo
na poeira de suas grandes estátuas
de seus pequenos homens
ao acordar dos sinos
as almas ingilhadas dos casais
procuram a mística ciência do amor
e descobrem na tarde desmaiada
uma competência para dálias e paixões
(o dia vai se fechando entre badaladas e cotovelos)
ao adormecer dos sinos
os casais esquecem de apagar as luzes
e as amanh(essências) das carícias
se libertam se ator(doam)
no quarto, uma butija
um trinco quebrado
um torno sem roupa
um sino tocando.
Iara Maria